[número 3]
“Eram três horas da tarde, e eu estava em casa, esperando o tempo passar, assistindo àquelas comédias românticas que garotas sozinhas costumam assistir.
Passara horas pensando nele, pensando em nós e no que tínhamos vivido. Estava pensando em como ele me tratava e em como ele era, e em como estava diferente comigo agora.
‘Mili, eu te odeio’, foi o que me dissera no dia anterior. E eu respondi: ‘Não pense que comigo é diferente’. ‘Ótimo, pelo menos temos algo em comum’, replicou Joe.
Por um instante, quis matá-lo. Como ele conseguia ser tão frio? Tão grosseiro e tão confuso… como conseguia ME confundir? Ele era tão odioso, e eu o amava tanto…
A campainha tocou. De má vontade, levantei do sofá, saí das cobertas e fui dar uma olhada no espelho. Me pareceu satisfatória a roupa, mesmo sendo um camisetão listrado azul e um shortinho preto um tanto comprometedor. Soltei meu cabelo do coque mal-feito e fui atender à porta. Tudo isso em menos de quinze segundos.
E lá estava ele, esperando na calçada. Seu boné preto virado pra trás, com aquele olhar vazio, de quem quer algo que ainda não conseguiu. Respirei fundo e fui até lá, abri o portão e saí, indo de encontro a ele.
- Oi – comecei, um pouco ríspida.
-Hei! Tudo bem, Mi? Você não foi a escola hoje e fiquei preocupado, quer dizer, você não costuma perder as aulas… O que aconteceu?
- Nada. Estava meio indisposta e quis ficar em casa hoje.
- Ah… bom, espero que esteja melhor.
- Estou sim, obrigada por perguntar.
- Então tá, acho que já vou… vim só pra saber como estava.
Olhei em seus olhos, antes de continuar a me esconder nas minhas respostas grosseiras. E ele me olhou de novo, daquele jeito peculiar, único. Não consegui continuar com aquilo e abracei-o apertado. Ele me recebeu em seus braços e me comprimiu nele, como se eu fosse me soltar.
- Joe, eu te odeio – disse, com os olhos fechados, respirando o ar que ele contaminara com seu delicioso perfume.
- Eu também te amo, meu bem.”
Escrita no dia 19 de maio. Pelo que sei, essa é a primeira história que eu publico sobre Mili e Joe, mas não é a primeira da série ( na verdade, é a terceira). Escolhi essa por ser curtinha, pq uma peculiaridade das histórias deles, além do recheio extra de ‘eu te amo, eu te odeio’, é a longitude. ‘O que espero de você‘ só não é mais curta que a primeira de todas, que eu prometo ainda postar aqui. Eu vou escrevendo sobre a Mili durante as minhas aulas {no ensino médio e no técnico também} nas folhas em branco dos meus cadernos, arranco, tiro a rebarbinha {que observação inutil essa, mas oks}, dobro e guardo todas dentro de uma caixa de latão rosa que a minha mãe me deu. Ao todo são dez, mas ainda preciso passar à mão uma crônica que só tenho digitada.
Agora a pouco eu tava falando com a Teteh e consegui terminar de ler o primeiro conto que ela me mostra com um final. O nome do conto dela é ‘O Oposto do Amor’. Ele se encontra nessa comunidade e inspirada pela citação que ela colocou lá, resolvi criar coragem e postar essa história aí de cima. Porque até hoje eu não havia entendido o que Érico Veríssimo disse uma vez: “O oposto do amor não é o ódio e sim, a indiferença”. Agora eu entendo. Espero que um dia ele entenda também =)